obumda...
banda bloco bumbo baqueta bateria bamba bando boca beiço beijo
bela brega bisca bola baba bica bossa bunda bosta brejo babilônia
belém brás bixiga blague briga bambu bombeta berro bala bombarda
..bomba...
bum!


quinta-feira, 3 de maio de 2012

toma, rogério


é pra tomar uma douradinha! me explica rogério sobre o pedido por uma grana. não, não era esmola 
baixos da estação do metrô brás. quase centro de são paulo - longe do que pisadores de carpetes 8 mm poderiam chamar de um lugar bacana
pai separado, dois filhos com a mãe, deles, numa cidadezinha na bahia. só lembro do nome: bahia
é ajudante em construção de casas pra outras pessoas. especialidade em assentar pisos e azulejos. me mostra a prova maior: um par de chinelos de dedo, brancos de pó, de obra, de cal
agora, no momento, neste exato instante, está sem trabalho. mora em qualquer praça que não congele seu cérebro
ah! puxou nove anos de cadeia. assalto à mão armada. taí toda a capivara
fuço minha carteira. duas moedinhas de um real. tá na mão
não, não era esmola. quem tem história merece meu voto pra tomar o que bem entender

quarta-feira, 4 de abril de 2012

nanotudo

lembre-se do desespero do atraso. da hora que não chegou, mas que parece já ter ido. sinta a dor da espera, infinita pra você, mas acelerada pra quem estiver chegando. tente perceber o quanto de audácia era ver alguém desdenhar do relógio e fazer crer que um nanonada de segundo é uma noite inteira de lua cheia. assim era ademir da guia, que em 3 de abril fez 70 anos, dias, milênios
o senhor dos bons tempos 
Ademir da Guia
Ademir impõe com seu jogo 
o ritmo do chumbo (e o peso), 
da lesma, da câmara lenta, 
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando 
no adversário, grosso, de dentro, 
impondo-lhe o que ele deseja, 
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno, de andar na areia, 
de água doente de alagados,

entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário

(João Cabral de Melo Neto)

segunda-feira, 2 de abril de 2012

parque pedregoso


morrer de sede na bica da cachoeira. esta foi a sensação que tive, hoje de manhã, passando pelo parque dom pedro II, bem no centrão de são paulo, pertinho da 25 de março, do mercadão municipal, um dos pontos turísticos mais famosos de sampa. está que dá dé di dá dó. se você está virado pra um lado, vê a arquitetura de antão, alguns prédios, quase nenhum, conservados, um ar de até saudade. tá tudo ali, lindo a me abastecer. mas vupt! virou pro outro lado, pode cair de costas pelo fedegoso rio tamantuateí e/ou abandono do parque, mato, entulho, buraco que envergonha até o rato. é como ser passarinho e não ter árvores pra sassaricar  daqui pra lá e, no meio do sobrevoo, lançar uma merdinha qualquer na cabeça de alguém

terça-feira, 27 de março de 2012

pã pãrãrãrã pã pã pã pã pã


por que é que o domador não veio? o leão, do imposto de renda, comeu

por que é que a plateia só chora? o palhaço estava com fome, pegou o nariz e comeu 

por que é que a rede do trapézio sumiu? 
o homem-aranha comeu

por que é que viriato está de ponta-cabeça na arquibancada?
ele é apaixonado pela abigail, a contorcionista...

sexta-feira, 23 de março de 2012

franchisco

seu francisco chora sem lágrimas. chico morreu
seu francisco é também cearense, só que do juazeiro, do norte. o que partiu é de maranguape. mas está tudo em irmandade

seu francisco fala de sua tristeza apoiado nos livros que acarinha no sebo em que trabalha, é no messias, fica na praça joão mendes, coladinha na sé, centro de sampa
seu francisco e chico: retirantes que nos trazem letras pra ajuntar nossos pensamentos, tanto as meditações de viver, as de matar, as de rir e as de ranger de raiva
seu francisco me acha o livro que pedi eu. trocamos mais umas palavras mais de conforto e lembrança, mas:
por que chico morreu?

quarta-feira, 21 de março de 2012

aranha radiofônica


há dez anos, alex fez esta obra prima com sua canhota malemolente
há dez anos, vivi, pelo radinho, esta maravilha. estava internado com erisipela na perna direita. dizem que é doença de governador  mal podia ficar sentado. latejava tanto minha canela que parecia junto chacoalhar a cachola
ganhei a dita em um bar de são vicente, à beira canal, provavelmente pela picada de uma aranha
essa safada me impediu de estar no estádio. mas foi tão mágico que, se estivesse lá, não acreditaria tanto quanto pelo meu bom companheiro à pilha