obumda...
banda bloco bumbo baqueta bateria bamba bando boca beiço beijo
bela brega bisca bola baba bica bossa bunda bosta brejo babilônia
belém brás bixiga blague briga bambu bombeta berro bala bombarda
..bomba...
bum!


quinta-feira, 14 de junho de 2012

na mé_dia

passeando agora há pouco pelo centro de sampa. na cabeça a frase que não cansa: na média tudo tá nos trinques. tá? ah, tá sim senhor!(?) antes os rato mordia a gente. agora eles come os resto de lanche de gingilim, que antes não tinha, agora tem, sim                            

terça-feira, 12 de junho de 2012

como é que isto se chama?

a trilha

a imagem - feita por jerry rodrigues
(a legenda)
como é que isto se chama?
divinos infernais
pausa da guerra, paz
nos conhecendo demais
meu braço, sua cintura
o mundo ardil rodopia
meu pescoço, sua âncora

como é que isto se chama?
besuntados de batuques
clareia a alvorada
desnuda nossos truques
marcados em maracatus
nossas peles retesadas
muito tudo em eu e tu

como é que isto se chama?
paramos os ponteiros
a areia da ampulheta
revelo sou fevereiro
brilhamos em escuros
passamos perenes
arranhões consentidos


como é que isto se chama?
descansamos armadura   
o mal míngua lá fora
eu olho a lua que olha pra ela
essa é nossa novela
seremos denunciados
ela olha a lua, nos tocamos nela

como é que isto se chama?
inflama, faz jorrar
anima, desatina
rimos como vendo o mar
mais que fogo de escoteiro
pode ser de vez em quando
bem melhor o tempo inteiro


sábado, 9 de junho de 2012

sê de tua coisa - todas as paradas são andantes


minhas cores não me escondem
sou eu hoje, amanhã, ontem

variando o dia, bruto, vermelho
depende da noite, doce, azul
camaleão tão leonino, intenso

não presta me pregar no preto
bancar que devo ir pro branco

gosto da extremidade que sorri
mas não pense me aprisionar
se for tentar, transgredi, parti

sou de planar, periscópio cortante
mergulho, me afogo num rasante

fantasio o que bem quero, de amarelo
quando gosto de ver-te, viro verde
surjo tão complexo, assim singelo

nem olhe o que estou vestindo
opaco ou febril, sou puro instinto

desincomode de quem eu deleito
há tanto pra você tentar resolver
dedique-se mais ao seu desejo


segunda-feira, 4 de junho de 2012

não parará

a prefeitura fechou o bar do binho, lá na distância da zona sul de sampa, onde havia um dos saraus de referência da cidade

é, na periferia centro cultural é em bar, salão comunitário e tal, o poder público não gosta muito de lonjuras

e a prefeitura diz que é por causa de multas atrasadas, que a vizinhança diz que faz barulho

sempre me ensinaram que a prefeitura é pra procurar ajudar a organizar a nossa vida, juntar gente, conversar, pra resolver

mas a eficiência de arrecadar impostos e o moralismo da prefeitura são notáveis, como funciona! como atende bem os interesses que não são meus

há quase trinta anos pago impostos e, mesmo assim, há quase cinquenta ouço que tudo vai melhorar

mas, seu prefeito, o sarau não vai acabar

poesia não se mata!

ela faz pensar, agir

poesia só faz apaixonar

coisa que o senhor parece não saber, não entender

como a prefeitura não resolve o que eu preciso, quem vai fechar a prefeitura?

bem que eu queria um prefeito na minha cidade. não um delegado de costumes

quarta-feira, 23 de maio de 2012

mandrake!


a greve nos engrandece. eu sem trem. você com carro completamente parado. tô que não posso com meu ipodi. o som é elegante, genuíno, é rap do fino. você sua de pressa no seu dramático hidramático. quem se importa com seu importado parado na 23 de maio? rá, rá, rá. neste paradeiro conheço fernando, otávio, amanda. todos caminhando para algum lugar que não se chame trânsito. passo meio do lado do seu bólido estático. seu vidro abaixado de tanto resfriado do ar condicionado. faz eco no congestionamento a música do seu rádio que você quer esconder mas todo mundo vê. é, cidadão, essa parada nos iguala, até existe amor em sp

domingo, 20 de maio de 2012

cinco--pado




a cada cinco dias. mais ou menos exatamente assim, me apaixono e amo parte de algo ou de alguém. uma frase de desdém, uma correntinha no tornozelo, um dragão colorido ainda sangrando nas costas. duram 120 horas

faço, quase sempre, o que cada músculo quer pulsar. embora muito só percebam o que não executo. juro, rejuro, me faço de interessado – mas quero mesmo saber o porquê das pintas próximas dos mamilos. duram 7.200 minutos

sem quase dizer sílaba, som. basta um sorriso: canto canções nas madrugadas. bem baixinho, dentro do ouvido, pra não instigar também o vizinho. acompanho o trajeto de estrelas foscas grudadas no meu teto. duram 432.000 segundos

sinto que as saudades de passear de trem são tão importantes quanto comemorar a morte de juiz comprado. lamento, não, odeio ver minhas crenças de antes partidas – partido. duram 424.987.097,49 momentos

muito, não muito sempre, discordo da corda do relógio. da batedeira do cuco. tic-tac; tico-teco; bip-bip; din-don. não. engenhocas de relógio não podem me estrangular a jugular. daí que aqueles cinco dias não têm mais vez. agora são três 

terça-feira, 15 de maio de 2012

poder, pode


vamo vana, veta        
a fome do fígado         
a flacidez do fotoshopi
a carência do colo
o cruzar de cruzes
a melanina maltratada
a mordomia da mais valia

vamo vana, vota
na inteireza das quebradas
na graça do gozo
na firmeza das beiradas
nos cantos dos campos
no riso das ruas
no calor dos calos

ah, vana, aproveita
metralha a motosserra
com nada combina
inda mais com floresta